Casa minimalista: como adotar esse conceito que vai além da decoração

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Para você, minimalismo se resume a paredes brancas, poucos móveis e uma decoração chata e sem graça? Então está na hora de rever alguns conceitos.

Tudo isso pode até ser considerado minimalismo, mas apenas do ponto de vista estético. O minimalismo que vamos falar aqui hoje diz respeito a um estilo de vida que pode ser aplicado em diferentes áreas, incluindo a decoração e a rotina do lar.

Portanto, se acomode aí e acompanhe com a gente esse post para descobrir como ter uma casa minimalista de verdade.

O que é o minimalismo?

Minimalismo é eliminar excessos de todos os tipos em prol de uma vida com mais significado e, consequentemente, mais simples. Só que antes de transbordar esse estilo para sua casa é fundamental que ele já faça parte da sua vida, caso contrário, a frustração será inevitável.

Isso porque pessoas que tem o hábito de acumular coisas podem sofrer muito com o desapego brusco. Dessa forma, o minimalismo deve acontecer primeiro na sua mente, no seu coração, para só aí entrar na sua casa, ok? Um processo lento, gradual e amoroso.

O minimalismo surgiu na década de 60 nos Estados Unidos, primeiramente para se referir a um novo estilo artístico e arquitetônico que, entre outras coisas, pregava uma estética de linhas simples e retas, além de cores neutras e sóbrias. Um dos grandes ícones do movimento minimalista foi o arquiteto modernista Mies Van Der Rohe, autor da celebre frase “menos é mais”, praticamente um mantra entre os minimalistas.

Quer dizer então que para ser minimalista e ter uma casa minimalista é preciso ter apenas uma calça jeans, uma camiseta, um sapato e um colchão? De jeito nenhum! Essa é uma das maiores contradições do estilo minimalista.

O minimalismo não possui regras, tampouco um guia prático para ser seguido. Esse movimento é muito solto e livre, onde cada pessoa que se identifica com a ideia pode adotá-lo de uma maneira diferente.

Você não precisa se desfazer de tudo o que possui, mas tudo o que você possui precisa ter significado e fazer sentido na sua vida, entende a diferença?

No mundo capitalista que vivemos é mais do que natural o apelo ao consumo de coisas que nem precisamos. Vai dizer que você não tem aí nos seus armários peças de roupas e utensílios de cozinha que nunca sequer usou? Mas não se preocupe, todo mundo tem (ou já teve)!

Com o minimalismo você vai aprender a valorizar aquilo que realmente importa, sem desperdícios.

Resumindo, uma casa minimalista tem mais a ver com leveza e liberdade do que com paredes brancas e vazias.

Características do minimalismo

Funcionalidade e praticidade

No mundo minimalista tudo o que existe está lá para algo. Dificilmente você verá uma casa minimalista (na essência) com objetos que não tem serventia.

Isso quer dizer que você só vai ter uma máquina de waffles se realmente fizer waffles, caso contrário não tem sentido ela ocupar espaço no seu armário. Da mesma forma que a mesa de centro só vai existir se ela for usada, o mesmo vale para o aparador, o buffet, o rack. Ou seja, o minimalismo não pede que você jogue fora todos os seus móveis e fique apenas com o colchão, mas ele te faz pensar na real necessidade de tudo aquilo que possui. É o tal do senso critico.

A praticidade também é outro ponto importante do minimalismo. Além de ser funcional, o objeto em questão deve trazer praticidade e conforto para o dia a dia. Portanto, esqueça utensílios e móveis difíceis de serem usados, que nunca estão à mão quando você precisa. Sabe aquele sofá cama que nunca abre como deveria? Ou aquele aparelho de cozinha super chato de lavar? Você não precisa deles!

Consumo consciente

Partindo do tópico acima, fica mais do que entendido que o minimalismo prega o consumo consciente acima de qualquer coisa. Isso significa que toda nova compra exige planejamento e reflexão. Nada de comprar por impulso.

Qualidade x quantidade

Minimalismo também tem a ver com a qualidade daquilo que você está comprando. Na cultura capitalista estamos habituados a colocar o preço dos produtos como fator decisivo no momento da compra. Mas você já parou para pensar na vida útil do produto que está levando para casa?

E aquela história do barato que sai caro. Na grande maioria das vezes é melhor investir em algo que custe um tanto a mais e ter certeza que vai permanecer com você por anos, do que comprar algo que precisará ser substituído em pouco tempo. Essa não é uma atitude inteligente só do ponto de vista da sustentabilidade, mas também da economia. Afinal, o produto mais caro acaba se pagando com o passar do tempo, enquanto o outro traz prejuízo, já que terá que ser substituído.

Como ter uma casa minimalista

Casa minimalista por fora

Organização

Uma das primeiras dicas para ter uma casa minimalista (segundo os conceitos que falamos acima) é manter a organização.

Uma casa limpa e organizada é muito mais prazerosa e aconchegante. E esse processo fica muito mais facilitado quando você se livra daquilo que não precisa.

Desapego

É praticamente impossível falar em minimalismo sem falar em desapego. Portanto, esse é o momento para você respirar fundo e esvaziar os seus armários. Doe, jogue fora ou resignifique peças de roupas, objetos e utensílios que você tem em casa.

Mais do que uma faxina no espaço, você fará também uma faxina na sua mente e na sua alma.

Depois de concluir a tarefa pode ter certeza que se sentirá muito mais leve e livre.

Funcionalidade

A partir de hoje escolha objetos que tenham funcionalidade. Doe aquilo que não serve para você. Até a sua decoração pode ser assim. Por exemplo, na cozinha você pode aproveitar os utensílios que possui para compor a decoração, sem a necessidade de comprar itens específicos para decorar.

No quarto, experimente usar suas bijus e seus chapéus para decorar as paredes, por exemplo. E por aí vai.

Mantenha aquilo que é importante

Muita gente torce o nariz para o minimalismo porque acredita que vai precisar se desfazer de tudo o que tem. Não caia nessa!

A ideia desse movimento é levar uma vida com valor, junto daquilo que te faz bem. Se você ama sua coleção de livros, mantenha-a lá do jeitinho que está. O mesmo vale para bibelôs de viagem, fotografias, discos e CD’s e até as plantas.

Na dúvida, faça sempre a pergunta: isso aqui faz sentido para minha existência? Se sim, conserve.

Valorize itens três em um, quatro em um e por aí vai

Outra ótima dica para ter uma casa minimalista é valorizar objetos com mais de uma função. Além de economizar espaço dentro dos ambientes, esses móveis ou eletrônicos trazem mais praticidade para o dia a dia.

Por exemplo, se você pode ter um multiprocessador porque então ter um liquidificador, uma batedeira e um espremedor de frutas? Invista em um aparelho só.

O mesmo vale para móveis. Prefira o balcão que se estende e vira mesa, o banco que tem espaço para armazenamento ou a cama com baú.

Vantagens de uma casa minimalista

Limpeza mais fácil e rápida

Quanto menos coisas você possui, mais rápida e fácil se torna a limpeza doméstica. E se você ganha tempo com a limpeza, automaticamente ganha tempo também para outras coisas muito mais prazerosas, como passar mais tempo com os filhos, ler um livro ou passear com o cachorro.

Menos estresse

Uma casa visualmente limpa e organizada traz paz para o coração e faz bem para alma. De acordo com um estudo publicado na Environment and Behavior por pesquisadores da Universidade de New South Wales, na Austrália, ambientes sobrecarregados e cheios de estímulos visuais provocam ansiedade, falta de concentração e foco, baixa produtividade e até obesidade. A falta de limpeza também acarreta problemas de saúde como alergias respiratórias, bronquite e problemas de pele, já que a poeira, os ácaros e outras sujidades estão mais disponíveis no ambiente.

Segundo outro estudo, desta vez publicado no Current Psychology e divulgado pelo jornal The New York Times, uma casa bagunçada aumenta os níveis de cortisol, conhecido também como hormônio do estresse. Ainda de acordo com a pesquisa, os idosos e as mulheres são os mais afetados pelo excesso e acúmulo de objetos dentro de casa.

Encontre tudo o que precisar

O minimalismo tem essa capacidade de fazer encontrar aquilo que precisa na hora que precisa. Viver em uma casa que possui apenas aquilo que é essencial ajuda você a poupar um tempo danado na hora que precisar localizar algo importante.

Faz bem pro seu bolso

Compras conscientes e planejadas refletem diretamente na economia e no orçamento doméstico. Assim, o minimalismo não te ajuda só a economizar dinheiro, mas te conscientiza a destinar essa grana para coisas muito mais interessantes, como viagens, estudos e lazer.

Viver o que importa

Uma casa minimalista não só pode como deve ser aconchegante e acolhedora. Dentro dela, as pessoas podem se concentrar naquilo que realmente desejam, ao invés de se perderem entre tantas muambas espalhadas. Isso é especialmente válido para quem tem crianças. Sabe aquele momento em que os pequenos tem tantos brinquedos que já nem sabem o que fazer com eles? Muito provavelmente eles se divertiriam mais se tivessem uma quantidade menor de coisas e pais com tempo livre para ficar ao lado deles. Tempo esse que você consegue ao se livrar de objetos, compromissos e deveres vazios de significados.

Sem regras

Por fim, vale lembrar que o minimalismo não possui regras. Então, não se preocupe em fazer contas de quantos vasos de plantas você tem em casa ou de quantas panelas estão no armário. Se você usa, gosta e precisa das coisas que tem não se desfaça. Desapegue-se apenas do que não agrega valor na sua vida.

Também não se prenda a padrões estéticos. Não é porque você possui um estilo de vida minimalista que precisa se desfazer dos seus móveis de linhas curvas e cores vibrantes. Isso seria um contra senso terrível.

Cuide e valorize aquilo que você tem, não compre por comprar, organize e limpe sua casa com carinho. Essa é a essência de uma casa minimalista e o começo de uma vida mais leve e livre.