Arquitetura Romana: o que é, origem, história e características

Por -

Não é preciso ser um conhecedor profundo de artes e arquitetura para ao menos ter ouvido falar sobre o Coliseu, uma das maiores obras do império romano. Mas a arquitetura romana vai muito além dessa estética e grandiosidade visual.

Famosos por suas estradas, aquedutos, estádios e anfiteatros, os romanos deixaram um legado para a arquitetura mundial que sobreviveu aos séculos e até hoje influência arquitetos e engenheiros.

Quer saber mais sobre esse estilo que marcou a história da humanidade? Então é só acompanhar esse post com a gente. Vamos fazer um percurso completo pela arquitetura romana, desde a sua origem até o seu ponto final, quando a era Medieval passa a dominar o mundo das artes e da arquitetura. Pronto para embarcar?

Arquitetura Romana: o que é, origem e contexto histórico

Nossa primeira parada é na origem da arquitetura romana e o contexto histórico que permitiu que ela desabrochasse. A arquitetura romana tem inicio no século II a.C e nasceu da junção entre a arquitetura grega e a etrusca.

Mas é importante ressaltar que apesar de ser um estilo fortemente influenciado pelos gregos e etruscos, a arquitetura romana conseguiu imprimir sua própria personalidade e identidade às obras, ficando muito longe de ser uma mera cópia dos estilos anteriores.

Basicamente, o que a arquitetura romana fez foi se apropriar do estilo de construção grega e etrusca e, em cima dessa técnica, estabelecer a sua própria criando inclusive formas inovadoras de construção.

Nas obras romanas é possível observar a influência dos gregos com o uso de colunas – especialmente nos templos – e a inspiração etrusca nos arcos e abóbodas.

A arquitetura grega e etrusca construía obras para serem apreciadas e admiradas. No entanto toda a estrutura necessária para criar essas obras monumentais exigia um grande número de colunas na parte interna das edificações, limitando com isso o espaço interno das obras.

Foi aí que os romanos tiveram a genial ideia de unir a grandeza monumental da arquitetura clássica com uma engenharia avançada para a época, baseada especialmente no uso e desenvolvimento de materiais como o concreto e a criação de arcos e abóbodas capazes de suportar o peso das construções.

O resultado dessa junção foram obras extraordinárias por dentro e por fora, bem diferentes do que era feito até então.

A arquitetura romana está diretamente relacionada com a ascensão do Império Romano. Suas obras e construções serviam tanto para expressar poder e status – como os arco triunfais espalhados por toda a Roma – quanto para servir as necessidades desse império que não parava de crescer, culminando com o surgimento de estradas e aquedutos, outro marco da arquitetura e engenharia romana.

Outro ponto interessante que vale a pena destacar na história da arquitetura romana é que ela nasceu pagã e chegou ao seu auge e declínio convertida ao cristianismo. Ou seja, a arquitetura romana traça a relação histórica direta entre arte, arquitetura e as mudanças politicas e sociais do império romano.

Características da arquitetura Romana

Arquitetura romana

Uma das principais características da arquitetura romana é o uso de arcos e abóbodas. Outro grande diferencial da arquitetura romana foi o uso de concreto nas construções, uma das maiores inovações que a arquitetura romana trouxe para a humanidade. Veja a seguir as principais características da arquitetura romana:

  • Projetos sólidos e resistentes, capazes de sobreviver ao tempo;
  • Construções funcionais e luxuosas;
  • Uso inovador do concreto nas construções;
  • Retorno do mármore nas construções;
  • Arcos e abóbodas em novos formatos, como berço e aresta;
  • Os arcos eram os grandes responsáveis pela forma artística das obras romanas;
  • Paredes largas com aberturas estreitas que se assemelhavam a janelas;
  • Simetria e proporções matemáticas;
  • Espaços com grandes aberturas;
  • Obras inspiradas no espirito prático e guerreiro dos romanos; 

Períodos da arquitetura Romana

A arquitetura romana compreende o período que vai entre o segundo século antes de Cristo e o quinto século depois de Cristo. Para entender melhor esse estilo arquitetônico é preciso acompanhar as mudanças pelas quais o Império Romano passou, desde seu auge até sua decadência, sendo que cada fase marcou profundamente a história da arquitetura romana. Confira abaixo mais detalhadamente cada uma dessas fases históricas:

Pax Romana

A Pax Romana é o primeiro período do Império Romano e marca sua ascensão. Nessa fase, entre os séculos I a.C e II d.C, Roma desfrutava de uma situação próspera e estável. Tal condição permitiu que as artes e a arquitetura se expandissem de forma rápida e acelerada.

No período da Pax Romana (ou Paz Romana) foram erguidos templos, divididos em duas categorias: os post-and-beam ou pós feixe (como o dos gregos) e os abobadados, já refletindo o estilo romano próprio.

Uma das mais famosas obras do período da Pax Romana é o Panteão. Construído entre os anos de 118 e 128 d.C, o Panteão era um templo abobadado de adoração aos deuses construído com uma vasta cúpula (a maior até a era do renascimento) perfurada por uma claraboia circular.

Outra grande obra do período é o Coliseu, construído entre os anos de 68 a 79 d.C. Sem dúvida, essa é a fase que abraça as maiores obras da arquitetura romana.

Império Tardio

O Império Tardio foi a última era da arte e arquitetura romana e compreende os séculos II e V d.C, marcando o declínio do Império Romano e a transição para a Idade Média. Nesse momento da arquitetura romana o projeto de maior destaque foi os Banho de Caracala. Apesar dos banhos serem algo comum nas cidades romanas, esse em especial se caracteriza pela luxuosidade e ambição. O complexo de Caracala inclui salas de ginástica, piscinas, salas de aula, bibliotecas e um interior ricamente decorado com murais e esculturas da época.

Cristão Primitivo

Se o Império Tardio foi a última era da arte e arquitetura romana clássica, em contrapartida ele foi o período que marca o inicio da arte e arquitetura cristã, a partir do século II d.C, conhecido também como período Cristão Primitivo. Foi nesse tempo que as primeiras igrejas e basílicas cristãs foram erguidas, com destaque especial para Igreja de São Pedro, a mais antiga do mundo. Posteriormente, já na era do Renascimento, a igreja foi reformada e passou a ser conhecida como Basílica de São Pedro, atual sede do Vaticano.

Inovação e materiais da arquitetura romana

Um dos maiores legados que a arquitetura romana trouxe para a humanidade foi o uso do concreto nas construções. Os romanos foram os primeiros a desenvolver uma massa efetivamente capaz de ‘colar’ as estruturas de modo que os arquitetos pudessem ser muito mais criativos em seus projetos.

A diferença substancial entre o concreto romano para o que era feito até então é a areia vulcânica. Antes dos romanos, a argamassa era constituída apenas de agua, areia e cal, foram eles que aperfeiçoaram a receita com o uso de areia vulcânica e ladrilhos quebrados. Essa mistura mostrou-se muito mais forte e resistente, tornando possível a criação de obras como a cúpula do Panteão, uma obra monumental com 43,2 metros de altura e nenhum pilar sequer de sustentação.

O concreto inventado pelos romanos possibilitava inovações muito além da parte estrutural das obras. A massa usada por eles também criava oportunidades estéticas valorosas, como o uso de revestimentos para adornar as construções.

Os romanos também eram mestres na arte de trabalhar com o mármore. Grande parte das construções romanas levava a pedra como matéria prima. E mesmo diante de novas possibilidades arquitetônicas os romanos não abandonaram o uso de tijolos nas construções, pelo contrário, eles continuaram a ser usados, especialmente para serem esculpidos.

Principais obras e construções da arquitetura Romana

Os romanos marcaram a história da arquitetura com a construção de estradas, aquedutos,templos, palácios, banhos públicos, monumentos, esculturas, anfiteatros, estádios, abóbodas, basílicas, arcos entre outras. São muitas obras ao longo de quase mil anos de arquitetura romana clássica. Conheça agora um pouco mais sobre cada uma delas:

Teatros e anfiteatros

Coliseu em Roma

Os teatros e anfiteatros romanos eram nitidamente inspirados nas versões gregas, contudo, a principal diferença entre os dois estilos é a forma semicircular. Esses espaços eram construídos sobre uma estrutura de sustentação com abóbodas e pilares. O mais famoso deles é o Coliseu de Roma, erguido entre os anos de 70 a 80 d.C. Com capacidade para até 80 mil espectadores, o Coliseu era o grande palco de jogos e gladiadores do Império Romano.

Templos

Panteão em Roma

Os templos também são um marco da arquitetura romana. Os romanos geralmente construíam templos retangulares, mas foram encontrados outros em formatos circular e poligonal, como o templo de Vênus em Baalbeck, construído entre os séculos II e III a.C. Mas foi o Panteão, construído em 27 a.C que ganhou maior destaque. Durante a idade Média, no entanto, o prédio foi tomado pela Igreja Católica que o transformou em uma igreja. A construção sobreviveu praticamente intocada ao longo dos séculos, demonstrando a durabilidade e a qualidade da arquitetura romana. Uma curiosidade sobre a obra: até hoje a cúpula do Panteão é a maior cúpula de concreto sem suporte do mundo.

Estradas

Via Appia

Os romanos eram ótimos em construir estradas, tanto é que elas sobreviveram até os dias de hoje. A principal e primeira estrada construída por eles foi a Via Ápia em 312 a.C, ligando as cidades de Roma e Cápua. As estradas eram uma necessidade do Império Romano, utilizadas para o transporte de bens, pessoas e soldados.

Aquedutos

Aqueduto romano

Os aquedutos são estruturas construídas para o abastecimento de água nas cidades. Roma contava com 11 aquedutos no final do século III e quase 800 quilômetros de curso de águas artificiais. Essas obras deram condições para que a população saísse da agricultura da subsistência para atividades mais elaboradas, como arte, politica, engenharia e artesanato. O sistema só foi abandonado 500 anos depois com a chegada do encanamento.

Termas Romanas

As termas eram construções destinadas aos banhos públicos, algo muito comum no Império Romano. No local eram construídos piscinas – de água quente e fria, vestiários e bibliotecas. O exterior dos banhos era geralmente simples, o destaque ficava na parte interna dessas construções. Ricamente decorada, a parte interna dos banhos contava com colunas, mármore, estátuas e mosaicos. Um dos maiores e mais emblemáticos banhos do Império Romano foi o de Caracala, construído em Roma no ano de 216 d.C.

Arcos triunfais

Arco de Druso

Os Arcos triunfais eram construídos como modo de homenagear os soldados e exaltar as vitórias militares do Império Romano. Atualmente é possível visitar cinco arcos em Roma, sobreviventes do tempo: Triunfo de Druso, Triunfo de Tito, Triunfo de Septímo, Triunfo de Galiano e Triunfo de Constantino, esse último construído em 315 d.C é um dos maiores exemplos da arquitetura da Roma imperial.

Casas romanas

Casa dos Vetti

As casas romanas eras conhecidas como Domus e encantavam pela sua simetria, jardins, fontes e paredes ricamente decoradas com afrescos e estuques. As casas romanas não eram tão luxuosas quanto os templos, mesmo assim eram espaçosas, amplas e com espaços bem divididos. O maior exemplo sobrevivente é a Casa dos Vetti, localizada na cidade de Pompéia, no sul da Itália.

Arquitetos romanos

Apollodorus of Damascus

A maior parte dos arquitetos romanos permaneceu no anonimato, isso porque era costume no Império Romano oferecer a dedicatória da obra para a pessoa que encomendou e pagou por ela e não ao responsável técnico e artístico da construção.

Contudo, alguns nomes conseguiram se sobressair. Entre eles está Apolodoro de Damasco, o arquiteto preferido do Imperador Trajano, governante do Império Romano no período de 98 a 117 d.C.

Damasco ficou conhecido pela sua habilidade de construir pontes e por ter projetado obras famosas como o Fórum de Trajano e Banhos de Roma.

Mas foi o arquiteto romano Vitrúvio que alcançou maior popularidade. Apesar de não se saber muito sobre suas obras, com exceção de uma basílica que ele construiu em Fano, Vitrúvio deixou sua contribuição para a arquitetura documentada no livro De Architectura”,um estudo com dez volumes sobre arquitetura escrita entre 27 a 16 a.C e que permaneceu intacto ao longo dos séculos.

A arquitetura romana soube como ninguém combinar novas técnicas e materiais a um estilo que eles entendiam muito bem. Foi através da arquitetura que Roma mostrou ao mundo antigo todo seu poder, força e superioridade. Mesmo com a queda do Império Romano, o legado arquitetônico não se perdeu e o modo como eles usavam concreto, tijolos e arcos continua a influenciar a arquitetura ocidental até os dias de hoje.