Arquitetura: o que é, conceito, estilos e breve história

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“Arquitetura é música petrificada”. A frase do escritor alemão Goethe (1749-1832) sintetiza uma das funções primordiais da arquitetura: fazer arte, mas um tipo de arte diferente, onde tijolos e cimento são a matéria prima.

A palavra “arquitetura” deriva da junção entre as palavras gregas “arché”, que significa primeiro ou principal, e “tékton”, que quer dizer construção.

Nos dias atuais, a arquitetura pode ser definida como a relação entre o homem e o espaço, ou melhor, a forma como ele interfere no meio criando condições estéticas e funcionais favoráveis para habitação, utilização e organização dos ambientes.

Já deu para perceber que o post de hoje é todo dedicado a essa forma de arte milenar não é mesmo? Pois então te convidamos a embarcar com a gente nesse post e conhecer mais a fundo o que é a arquitetura e toda sua história, descobrindo mais sobre esse modo artístico de construir e habitar que moldou nossa história no passado, conduz nossa vida no presente e já nos indica os alicerces para o futuro. Vem ver:

Breve história da arquitetura e conceito

Conceito de arquitetura

A arquitetura é um tipo de arte visual muito conhecida pela humanidade ao longo dos milênios e presente atualmente na vida de todo habitante desse maravilhoso planeta azul. A arquitetura molda a vida de todos nós. É ela a responsável por criar espaços – públicos e privados – capazes de unir, ao mesmo tempo, funcionalidade, estética e conforto.

Não é possível afirmar exatamente quando e onde a arquitetura surgiu na história da humanidade. Mas desde os tempos pré-históricos já é possível notar a preocupação do homem em moldar o espaço em que vivia, de modo que se sentisse mais seguro e confortável.

Nos primórdios da arquitetura, a matéria prima fundamental das construções era barro, água e sol: os três ingredientes necessários para criar os tijolos crus – que até hoje são usados, especialmente agora com a tendência sustentável presente na arquitetura. As primeiras casas de tijolos que se tem noticia são datadas de 7000 a.C na região entre o Oriente Médio e Ásia Central. Além do barro, eram frequentemente utilizados também pedra e madeira para as construções.

Mas não era só de casas que a arquitetura antiga vivia, aliás, grande parte do que sobreviveu até os dias atuais são templos, tumbas e palácios erguidos principalmente com o intuito de adorar deuses. Nesse aspecto, a arquitetura e a religiosidade seguiram por um longo período de mãos dadas.

Arquitetura no mundo antigo

A arquitetura evolui junto com a humanidade, tanto no que se refere ao aspecto tecnológico, quanto no aspecto social e cultural. As grandes obras arquitetônicas do passado contam a história do homem, seu modo de vida, suas crenças e seu jeito de viver em sociedade. Conheça agora as três principais civilizações que se destacaram na arquitetura e servem de inspiração até os dias atuais:

Egípcios

A civilização egípcia teve origem a cerca de quatro mil anos antes de Cristo com a união politica dos povos que habitavam o Rio Nilo. A arquitetura egípcia, assim como a dos povos da pré-história, foi marcada por grandes templos para os deuses, além das famosas tumbas para os faraós.

Foram os egípcios que desenvolveram a técnica de construção com pedras. Isso porque para eles os tijolos de barro não representavam um material durável, o que ia contra todo pensamento desse povo que acreditava na ideia do eterno e imutável.

Mas uma das maiores contribuições dos egípcios para a arquitetura foi a utilização de encaixes de madeira para empilhar pedras, o que descartava a necessidade do uso de massa para prendê-las umas as outras. Com essa técnica foi possível a construção de templos enormes de pedras com coberturas muito pesadas. As pirâmides estão aí até hoje para mostrar a força da arquitetura e engenhosidade egípcia.

Gregos

Arquitetura Grega

A arquitetura grega até hoje é conhecida como arquitetura clássica. As construções gregas eram matematicamente perfeitas. Apesar da maioria de suas obras terem motivo religioso, os gregos eram mestres da racionalidade. Tudo o que eles construíam era baseado em cálculos, regras, proporções e perspectiva.

O mármore era o principal material das construções gregas e ele era utilizado de modo semelhante a técnica de encaixe dos egípcios.  Os templos e cidades gregas sobreviveram ao tempo e hoje se tornaram objetos de apreciação para os que admiram o belo e a história da arquitetura. 

Romanos

Arquitetura Romana

Os romanos foram fortemente influenciados pelos gregos, mas trouxeram um diferencial para a arquitetura: os arcos. A arquitetura romana é marcada por templos, monumentos, esculturas e arcos inspirados no espirito prático e guerreiro dos romanos. Contudo, a preocupação com o belo não foi descartada, tal prova disso são o Coliseu e o Arco do Triunfo.

Os romanos também precisaram adaptar seus materiais de construção para a realidade do local em que habitavam. Foram eles que criaram a técnica de construção que misturava areia vulcânica com calcário e ladrilhos quebrados.

Essa mistura, parente ancestral do cimento, foi responsável por erguer, por exemplo, a cúpula do Panteão, uma obra monumental com 43,2 metros de altura e nenhum pilar sequer de sustentação.

Estilos arquitetônicos

Com o passar dos séculos, a arquitetura foi se consolidando como arte e passou a ter estilos próprios, assim como acontece nas artes plásticas e na música. Confira a seguir os principais estilos arquitetônicos: 

Estilo clássico

O estilo clássico remete originalmente a toda construção inspirada nas tradições greco-romana de arquitetura. Ou seja, nesse estilo imperam a simetria, a solidez, o uso de materiais rígidos e estruturados, tal como o mármore e as pedras.

A arquitetura clássica também é marcada por construções sóbrias, luxuosas e funcionais, tendo o homem e suas relações sociais como principal característica.

Estilo medieval

Arquitetura Medieval Catedral de Notredame

A arquitetura na Idade Média compreende dez séculos de história, indo do século V ao século XV. Nesse período nasceram estilos únicos e inconfundíveis como o gótico, o romântico e o bizantino. Esses estilos trazem em comum a inspiração cristã, já que durante todo o período os esforços de construção eram voltados a catedrais e igrejas.

Um dos maiores símbolos do estilo gótico é a Catedral de Notre Dame, em Paris, construída entre os anos de 1163 e 1250. As igrejas gigantescas, de torres pontiagudas eram uma tentativa humana de tocar os céus e estabelecer contato com o divino.

Bem diferente da arquitetura clássica, por exemplo, que tinha no homem e na sua relação sócio politica a sua principal inspiração, mesmo com obras voltadas aos deuses.

Estilo renascentista

Arquitetura renascentista

O estilo renascentista surge logo após o período medieval, no final do século XIV até meados do século XVI, e vai contra tudo o que havia sido colocado até então. O homem, a razão e o antropocentrismo, ideia de que o homem é o centro de tudo, são as principais características desse estilo. Foi nessa época que o autor da obra voltava a assinar sua criação – o que não acontecia na era Medieval. Destacam-se nesse período nomes admirados até hoje como Rafael e Leonardo da Vinci, mas os principais nomes da arquitetura renascentista são Vignola, Alberti, Brunelleschi e Michelângelo.

A perspectiva e o desenho se tornam o grande diferencial dos projetos arquitetônicos desse período. As obras mais famosas do renascimento são a cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma, e a cúpula de Florença, na Itália.

Estilo moderno

Apesar do termo “moderno”, a arquitetura moderna não é tão atual assim. Esse estilo passou a dominar a arquitetura no inicio do século XX, rompendo completamente com os estilos anteriores. Dessa vez, não são os templos, as catedrais ou igrejas os principais destaques da arquitetura, mas os prédios e arranhas céus gigantescos como forma de marcar o novo estilo de vida do homem do século XX.

A arquitetura moderna é marcada pela funcionalidade acima de tudo, nada mais de adornos e obras com decorações exageradas. As linhas retas e a simplicidade são o mote desse estilo. O estilo moderno também valoriza conceitos como socialização, integração e convivência, por isso mesmo que é muito comum visualizar obras modernas com amplos vãos e áreas livres.

Outra forte marca da arquitetura moderna são as obras com conceito sustentáveis e ambientalistas, tendências essas que devem se tornar permanentes, um exemplo é o “30 St Mary Axe”, edifício em Londres com 180 metros de altura e que tem a metade do consumo energético de um prédio convencional.

A Bauhaus, escola alemã fundada em 1919, foi o marco do modernismo na arquitetura e até hoje influencia arquitetos e artistas pelo mundo.

Estilo contemporâneo

Arquitetura Contemporânea Wall Disney Concert Hall

A arquitetura contemporânea compreende as últimas décadas do século XX e segue até os dias atuais. Esse estilo de arquitetura caracteriza-se em duas vertentes diferentes: uma se apropria dos conceitos modernistas e apresenta releituras e novas propostas baseada naquilo que já foi concebido. A segunda vertente descontrói todo o movimento moderno e propõe algo inteiramente novo, esse modo inclusive de pensar a arquitetura passou a ser conhecido como arquitetura desconstrutivista.

O fato é a que a arquitetura contemporânea ainda engatinha e seus principais representantes, como Frank Gehry, tem suas obras criticadas até pelos próprios membros do movimento contemporâneo.

As principais características da arquitetura moderna são os formatos irregulares, distorcidos e fragmentados, além de formas orgânicas e o forte apelo para o uso de técnicas e materiais sustentáveis e ecologicamente corretos. Inclusive, a arquitetura verde é um dos principais braços da arquitetura contemporânea.

Seja moderna, romântica ou clássica, a arquitetura é um legado da humanidade para o planeta. Fundamental para uma vida mais harmoniosa e plena, a arquitetura se torna cada dia mais essencial a fim de promover um mundo mais sustentável e ecológico, tornando o homem não apenas um mero ocupante do espaço em que vive, mas fazendo dele um ser consciente e responsável pelo planeta que habita. A arquitetura passa então a ser a chave para esse equilíbrio.